Falar na Guerra Para Celebrar a Paz

Arte pela paz é o caminho para as mudanças, é engajamento, resistência. É levar alegria a quem tem fome de SER!

A arte é um dos caminhos para a PAZ. Bordados livres e afetivos nessa época de desassossego gerado pela violência, representam um testemunho do poder transformador da arte pela PAZ e do seu significado para se manter a esperança mesmo nos momentos mais sombrios.

O cenário geopolítico mundial tem uma situação de sofrimento, dores marcadas nos rostos, no olhar das crianças, a vida por um fio, entre riscos desenhados pelas incertezas da sobrevivência e da harmonia entre os povos.

Obra Abraço – Bordado Matizes Dumont. Foto Arnold Baungartner

Obra Abraço – Bordado Matizes Dumont. Foto Arnold Baungartner

Isso nos lembra que, mesmo em meio à insanidade cotidiana, diante das mudanças climáticas, à ameaça de tantas guerras é necessário ampliar a cultura da PAZ. Cultura do “Cuidado como Ser Essencial” e da prática do Bem Viver.

Desencadear um movimento pessoal e coletivo em busca da relação harmônica e integral entre os seres humanos e a natureza: bem comigo mesmo, com o outro e com o meio ambiente.

A Arte pode ser um manifesto escrito em diferentes linguagens, por meio do qual artistas fazem denúncias, provocações para levar o expectador a reflexões sobre a guerra e lembrar a importância do movimento pela PAZ.

Mais aux Fleurs (Mãos com Flores) de Pablo Picasso, também é conhecido como buquê da Paz.

Mais aux Fleurs (Mãos com Flores) de Pablo Picasso, também é conhecido como buquê da Paz.

Este é o caso, dentre outros, da Guernica de Pablo Picasso, para quem ela é “uma arma de ataque e defesa contra o inimigo.

Ameaça nuclear. Mundo polarizado. Essa era também uma realidade durante a década de 1950. A tensão de tantas guerras, como a 2ª Guerra Mundial, ainda assombrava a todos.

Naqueles anos, a paz mundial era mais do que um desejo, era um pedido de socorro unânime em todo o mundo.

Guernica retrata o bombardeio à cidade de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Guernica retrata o bombardeio à cidade de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

As artes serviram e servem para denunciar guerras, conclamar a PAZ. Dentre as diferentes expressões, destacaremos aqui as artes visuais.

Muitos artistas vivos por volta de 1950, tiveram esse especial papel nas lutas e bandeiras no seu tempo e deixaram importantes legados para o futuro.

Entre eles, além de Pablo Picasso citado acima, podemos referenciar Salvador Dalí, conhecido pelo seu trabalho surrealista, Frida Kahlo, que defendia os direitos de mulheres e povos originários do México e o brasileiro Candido Portinari. Hoje, vamos conversar sobre este último.

Candido Portinari, o nosso “Candinho”, que em suas pinturas retratava a vida, as questões sociais com imagens do cotidiano do povo brasileiro.

O Pintor de Brodósqui, SP, soube representar com suas cores, pincéis e incríveis traços a infância e a vida dura na roça, as brincadeiras, os sonhos e a Poieses – quando a criação e a poesia tomam a vida.

Palhacinhos na Gangorra. Portinari, 1957. Projeto Portinari.

Palhacinhos na Gangorra. Portinari, 1957. Projeto Portinari.

As obras de Candido Portinari conquistaram reconhecimento tanto no Brasil quanto no mundo devido ao seu talento excepcional e à sua capacidade de retratar a vida e a cultura do povo brasileiro.

Sua obra é marcada por uma combinação única de realismo e expressão emocional. Portinari capturou a essência da vida cotidiana, retratando trabalhadores rurais, crianças, mulheres e pessoas comuns com uma sensibilidade profunda.

Ele buscava dar voz às classes marginalizadas e expressar a beleza e a luta da vida no Brasil.

Em 1952, o governo brasileiro decidiu presentear à Organização das Nações Unidas (ONU) obras que transmitissem uma mensagem de paz e solidariedade ao mundo.

O convite a Candido Portinari para criar essas obras se deu devido à sua força poética-estética, por ser um dos artistas mais proeminentes e influentes do Brasil na época.

Série “Guerra e Paz”

Para celebrar a PAZ, por meio de suas pinceladas geniais, Portinari retratou os horrores da guerra, a destruição e o sofrimento humano que acompanham os conflitos armados.

Estudo Mulher com filho morto e Menino Chorando, de Candido Portinari.
Os painéis “Guerra e Paz” encomendados a Candido Portinari para presentear a ONU não se referiam a uma guerra específica, mas buscavam abordar o tema da guerra em um sentido mais amplo.

Portinari criou a série com o objetivo de retratar a violência e as consequências da guerra, destacando a destruição, a opressão e o sofrimento humano que ocorrem durante os conflitos armados em geral.

Murais da Guerra e da Paz de volta ao Brasil. 1952-56. Candido Portinari. Crédito: Agência Estado.

Murais da Guerra e da Paz de volta ao Brasil. 1952-56. Candido Portinari. Crédito: Agência Estado.

A intenção era transmitir uma provocadora mensagem universal sobre a importância da PAZ, da reconciliação e da busca por um mundo livre de guerras e conflitos.

Embora os painéis tenham sido encomendados durante um período marcado por políticas estressantes, como a Guerra Fria e a ameaça nuclear, as obras de Portinari não se referem a um evento específico, mas sim ao impacto devastador da guerra em toda a humanidade.

Assim, os painéis “Guerra e Paz” de Portinari retratam a natureza violenta e destrutiva da guerra, representada no cotidiano sofrido do povo brasileiro, ao mesmo tempo em que ressaltam a esperança e a necessidade de construir um mundo mais pacífico e harmonioso.

Essas pinturas representam são um apelo à reflexão sobre os efeitos negativos da guerra sob várias óticas e à busca pela paz duradoura entre as nações.

Painel Guerra. Foto da Internet

Painel Guerra. Foto da Internet

Na sede da ONU, posicionado logo no hall de entrada os painéis, como um grande manifesto a favor da PAZ e das negociações possíveis naquele recinto.

Painel de Arte pela Paz.

Painel Paz. Foto da Internet

Na saída, o painel da PAZ, representando a esperança por dias melhores, de harmonia. Está ali, como um emocionado convite ao Bem Viver: harmonia consigo mesmo, com o meio ambiente e com o outro!

Na Celebração no retorno das obras ao Brasil, em 2010, João Candido, filho do artista, dirigente do Projeto Portinari, encomendou releituras das obras de seu pai a vários artistas brasileiros.

Na festa da chegada dos Painéis no Rio de Janeiro, em 2010, foram convidados Fernanda Montenegro, o cantor Milton Nascimento, a bailarina Ana Botafogo, o coreógrafo americano David Parsons e o Grupo Matizes Dumont, que ficou encarregado dos bordados baseados nos estudos realizados para as obras dos painéis Guerra e Paz.

A exposição dos dois grandes Painéis foi no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e a exposição simultânea dos bordados Dumont foi no Espaço Cultural da Caixa, no outro lado da rua.

Veja algumas releituras bordados dos estudos de Portinari

Os esboços produzidos por Portinari na década de 1950 para o painel Guerra e Paz na sede da ONU em Nova York, serviram de base e inspiração para o Grupo Matizes Dumont deixar a imaginação fluir ao reler uma obra monumental, a única deste porte feito por um artista brasileiro no exterior.

Após pesquisa intensa na obra do mestre brasileiro, foram bordadas e transmutadas dor e alegria. Choro e risos.

A alegria da festa da ciranda brasileira nas cores e linhas do bordado.

Bordados transmitindo emoções

O bordado, assim como outras expressões da arte, possuem significados e têm mensagens a transmitir. É uma maneira de lembrar às pessoas sobre a importância de se buscar a harmonia e a convivência coexistirem. É uma forma de resistência.

Obra Cirandeiras. Exemplo de Arte pela Paz.

Obra Cirandeiras.
Grupo Matizes Dumont.

 

Em tempos de conflito, a celebração da paz por meio do bordado pode ser vista como um ato de coragem e esperança.

É uma maneira de afirmar que, mesmo diante das adversidades, é possível cultivar a paz e a compreensão mútua.

Em outra ocasião continuaremos essa prosa. Permita que a Arte e a PAZ ocupem espaços de sua alma.

É tempo de bordar afeto, de bordar PAZ

Abraços cheios de bordados!

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01° de Junho de 2024.

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3 Comentários

  1. ELIELZA CUNHA RIBEIRO

    Lindos trabalhos. A arte supera.

    Responder
  2. Maria Adelina Albuquerque

    Gostei muito de ler este artigo.
    Obrigada

    Responder
  3. José Antonio da Silva

    Contudo corpo humano

    Responder

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