Bordar junto não é copiar

Compartilhe

A beleza do bordado está na singularidade entre matizes, cores, texturas e contam histórias e “recontos”. Revelam momento tão especiais quanto insubstituíveis.

Nenhum ponto do bordado se repete quando é seu”, porque ele carrega a essência, a emoção, a entrega e afeto que você imprime em cada detalhe.

Em algum ponto do caminho, disseram que ser criativa é inventar sozinha.
Que seguir um risco é menos. Que usar uma referência é trair a originalidade.
E que só o que nasce do zero pode ser chamado de arte.

Esse ideal rígido e solitário, tem afastado mulheres do prazer de bordar.
Transformou um espaço de expressão em um campo de julgamento interno.

Hoje, puxamos um fio contrário para mostrar que bordar junto, mesmo seguindo um risco de referência, pré-estabelecido, pode sim ser um gesto criativo e profundamente autoral.

Marilu no processo de Criação do risco do Bordado do Clube Matizes do Bordado. para bordar junto com as alunas.
Marilu no processo de Criação do risco usando no Clube Matizes do Bordado.

Que a sua presença e interação na roda de bordado importa mais do que a origem do desenho.

Já que a originalidade nasce do que é verdadeiro em você. Não está apenas na escolha das cores ou dos desenhos, mas na forma como você combina o que viveu, o que sonha e o que sente.

O mito da criação solitária

Há quem diga que criatividade de verdade começa em branco, no pano limpo.
Que criar é inventar do nada, sem modelo, sem mapa, sem referência.

Essa ideia não nasceu em você.
Ela é cultural.

A sociedade sempre valorizou o gênio individual, a obra inédita, a criação do zero.
Mas esquece que, na história das mulheres e do bordado, a criação quase nunca foi solitária.

O bordado, desde sempre, foi uma arte compartilhada, aprendida pelo olhar, pela escuta, pelo gesto repetido ao lado de alguém.
Feita lado a lado com a transmissão de técnicas através de gerações.

Obra: Mulheres ao bordar junto entre rios, foto de Luara Baggi
Obra: Mulheres que bordam entre rios, foto de Luara Baggi. Clique Aqui para ver a obra.

E não há nada de menor nisso.

Criar é Iterpretar

A verdadeira autoria não está em inventar tudo.
Está em ler com profundidade o que já existe e deixar sua essência aparecer no traço.

O risco é só o ponto de partida, o que o transformar em arte é a leitura que cada pessa faz dele.

É como na música.
Duas pessoas podem cantar a mesma canção,
mas é a interpretação que dá alma a ela.

Bordar junto é como cantar a mesma canção. A interpretação de cada uma que canta é que dá alma a ela.
Grupo Carroça de Mamulengos – CE

No bordado, é igual.
Mesmo com o mesmo risco, o resultado nunca é o mesmo.
Porque o ponto tem o peso da sua mão.
A escolha de cores carrega o seu olhar.
E o gesto guarda sua história.

Copiar é repetir sem presença.
Mas bordar junto é criar com intenção.

Maria Helena ao bordar junto em Encontro do Bordado Brasileiro.
Grupo de Mulheres bordando na Oficina do 2° Encontro do Bordado Brasileiro.

A ideia de que você só é criativa se inventar tudo sozinha…
tem impedido muitas mulheres de experimentar, errar, aprender e florescer.

Porque o problema não está em seguir um risco no bordado.
O problema está em acreditar que isso não vale.

E essa é uma crença que já passou da hora de ser desfeita.

O que significa bordar junto e com presença

Bordar com presença não é apenas sentar e seguir um risco com atenção.
É estar inteira no gesto.
É transformar o traçado em território íntimo.

As escolhas, como a linha azul e não a vermelha, o ponto cheio em vez do atrás, são decisões suas.
Mesmo quando duas mulheres bordam o mesmo desenho, o que emerge é sempre singular.

Uma, talvez, borde com a lembrança da avó no colo.
A outra, para encontrar a paz após um dia exaustivo.
O mesmo risco, mas intenções diferentes.
E intenções bordam sentidos.

Esse é o espaço de emerge a autoria.
É o modo como o bordado ganha forma nas suas mãos.

O aprendizado ao bordar Portinari

Tem experiências na vida que nos trazem ensinamentos profundos.

Em 2010, os painéis “Guerra” e “Paz” de Candido Portinari retornaram ao Brasil.

Obras monumentais, criadas para a sede da ONU, onde o artista retratou a dor dos conflitos e o desejo universal por dias de paz.

Murais da Guerra e da Paz de volta ao Brasil. 1952-56. Candido Portinari. Crédito: Agência Estado.
Murais da Guerra e da Paz de volta ao Brasil. 1952-56. Candido Portinari. Crédito: Agência Estado.

Na celebração desse retorno, o filho do artista, João Candido, convidou nomes da arte brasileira para homenagear o legado do pai. Fernanda Montenegro, Milton Nascimento, Ana Botafogo e o Grupo Matizes Dumont.

Ao nosso grupo coube a honra de fazer uma releitura de obras do grande mestre a partir da linguagem do bordado livre.

O trabalho envolveu um longo período de pesquisa a partir de 60 esboços originais. Desenhos feitos por Portinari para planejar os painéis, com traços intensos, vivos, carregados de urgência e beleza.

Não era uma tarefa de copiar. Era preciso sentir, entender, reinterpretar.

Estudo de Candido Portinari: Meninos no balanco & Meninos no Balanco – Matizes Dumont. Clique Aqui para ver a obra.

Alguns desenhos pediam apenas tradução para o bordado. Outros exigiram fusão, reinterpretação, criação de composições próprias a partir de diversos rascunhos.

A roda de meninas, o menino com o diabolô, as mulheres na lavoura, todos ganharam releituras bordadas, cheias de texturas, cor e beleza.

Não inventamos os traços, mas fomos autoras de cada ponto.

Estudo de Candido Portinari: Dança de Roda & Dança de Roda – Matizes Dumont. Clique Aqui para ver a obra.

Porque criar é ler com profundidade.

É dar corpo e cor a algo que já pulsa.

E não há nada de menor nisso.

Bordar junto: a experiência coletiva do bordado livre

O conceito de bordar junto é amplo.
Pode ser estar lado a lado, dividindo o bastidor, ou estar junto em intenção, como quem trilha a partir de um fio deixado por outra.

Mãos lidando com Linha.

Bordar o risco de alguém, completar o que outra começou, não é se prender a um molde.
É soltar o peso do julgamento, da auto-comparação, da solidão criativa.

Em nossas oficinas de bordado livre, é comum ver mulheres que chegam tímidas, desconfiadas do que vão conseguir fazer.

Mas basta o primeiro ponto feito em conjunto, o primeiro acerto celebrado, para que algo mude no ar.

Ali, naquele gesto coletivo, nasce um outro tipo de força e pertencimento.

Bordar junto oferece segurança para experimentar, porque há alguém ao lado, há acolhimento.

Sávia Dumont ao bordar junto em oficina de bordado

E é curioso: quanto mais liberdade para errar, mais coragem para criar.

É nesse espaço que o bordado deixa de ser técnica e vira expressão.
Não pela originalidade do risco, mas pela autenticidade de quem borda com linhas e afetos.

O bordar junto, quando bem conduzido, não limita: amplia.

Convite ao Voo

É essa experiência que te espera na Oficina Bordando Garças.
Um espaço guiado, mas aberto à sua leitura, onde o risco é o fio condutor e o gesto é o caminho.

Se você deseja sentir isso no próprio bordado, experimente duas aulas gratuitas com Marilu e Sávia Dumont.

Um espaço para criar com o coração tranquilo e descobrir que não é preciso inventar tudo sozinha para fazer algo profundamente seu

2 Aulas Gratuitas para você dar asas ao seu bordado.
Dias 18 e 20 de novembro.
Garanta sua vaga!

assinatura-grupo-matizes-dumont-300x43

Compartilhe

Publicado por:

Publicações relacionadas