Mulher: Tessituras no bordado-vida

Ao longo dos tempos tear, bordado e cores entrelaçam seus fios para que a mulher pesponte seus recontos de forma intensa, criativa. Em busca de sonhos o tear vai tramando itinerários, o bordado brinca com os tons que a vida tem, dá cambalhotas e salta do bastidor para ser vida em construção.

A liberdade desse Ser Feminino é uma conquista cotidiana, em cada ponto a saltar fora do “círculo do  bastidor”.

Quando agulhas e linhas percorrem as tramas e urdiduras em busca do seu espaço no tecido-vida;  quando o fio tênue que liga a ancestralidade à contemporaneidade é entrelaçado; quando é necessário sair do traçado e experimentar imagens inéditas até para si mesma; quando a necessidade propõe desmanchar e fazer de novo; quando a liberdade surge de mansinho e anônima no bordado, desafiadora emocionante; então é aí, com pontos cheios ou leves pespontos, pontos de ser ou alinhavos da alma, que mulheres e homens dão vida ao cotidiano.

Tecendo a vida bordadeira

Tecendo a Vida Bordadeira – Bordado Matizes Dumont, 2003-2004

Numa dessas belas oportunidades que se ganha como um presente, ao bordar o cotidiano e libertação de uma mulher no conto “A Moça Tecelã tomamos emprestados fios especiais. Todos eles feitos de terra, água, ar e faíscas de fogo que pulsam com toda a força feminina nesses bordados e ilustrar as palavras de Marina Colasanti.

“Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte. Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Mulher e o vento – Bordado Matizes Dumont. 2003-2004

Mulher e o vento – Bordado Matizes Dumont. 2003-2004

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.

 

Coragem da Moça Tecelã - Bordado Matizes Dumont . 2003-2004

Coragem da Moça Tecelã – Bordado Matizes Dumont . 2003-2004

 Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Trecho do livro “A Moça Tecelã”, de Marina Colasanti. Ilustrações Matizes Dumont. Global Editora 2004.

 

Um convite irrecusável

… Ao relembrar esses bordados e trazer esse conto para finalizar o nosso ponto de prosa, fica aqui o  chamado: experimentar no cotidiano o seu jeito único no encontro com o feminino. Convite para ser alumbramento,  ser luz: novas tessituras no bordado-vida!

Danças da vida - Bordado Matizes Dumont . 2003-2004

Danças da vida – Bordado Matizes Dumont . 2003-2004

No dia da mulher o abraço carinhosamente bordado em  delicados “pontos de inspiração”.

assinatura Marilu Dumont

 

 

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