Como superar a procrastinação no bordado e resgatar o prazer de criar

Um convite a transformar o bloqueio criativo em alegrias e prazer de criar

Antes mesmo da agulha tocar o tecido, muitas bordadeiras já sentem o nó na alma.

Você já parou diante de um pano em branco, desejando bordar, mas sem conseguir começar?

Esse travamento não é preguiça. Não é falta de talento.

Vestido das águas. Bordado Matizes Dumont – Foto Marilu Dumont
Vestido das águas. Bordado Matizes Dumont – Foto Marilu Dumont

É, muitas vezes, o excesso — de cobranças, de expectativas, de ruído interno.

Vivemos sob uma pressão constante para que tudo seja belo, útil, postável.

Mas quando o bordado vira obrigação, a leveza se desfaz e a criatividade silencia.

Quando foi a última vez que você bordou sem se preocupar com o resultado? Sem se preocupar com agradar ou demonstrar alguma coisa?

Perceber o que trava as suas mãos é o primeiro passo para se reconectar com o seu desejo de criar. Com aquilo que te move.

A sociedade do cansaço e nas nossas expectativas

Faço aqui um convite a compreender o que paralisa nossas mãos, e mais importante, a reencontrar a alegria de bordar só por prazer, com liberdade para as descobertas, afeto e acolhimento ao inesperado.

Nem o bordado escapa da produtividade?

Às vezes o tecido está ali, riscado. As linhas escolhidas. O desejar vivo de criar.

E ainda assim nada acontece.

Por quê?

Na “sociedade do cansaço”, como diz o filósofo Byung-Chul Han, até o lazer precisa ser produtivo.

Somos exigidas o tempo todo a sermos eficientes, até mesmo quando estamos criando.

Foto: Marilu Dumont

A bordadeira então se vê refém de frases como:

• “Preciso que fique lindo.”

• “Preciso terminar logo.”

• “Preciso mostrar que me esforcei.”

E, claro, o bombardeio das redes sociais não ajuda — vitrines impecáveis onde tudo parece mais bonito, mais rápido, mais certo. Como lembra Mark Fisher, hoje nem precisamos de vigias externos: nós mesmas nos policiamos o tempo todo.

O resultado é a dificuldade para nos engajarmos em atividades significativas, até o bordado, que poderia ser um refúgio, se transforma em mais um motivo para se sentir inadequada.

Entre o prazer de criar e o medo

Sávia Dumont bordando

A criatividade precisa de espaço.

Mas a nossa rotina apertada, a exaustão emocional e o medo de errar nos afastam do simples prazer de criar.

Surge o tédio. O cansaço. A dúvida.

O medo de começar e não dar conta. De perder tempo. De não ser “bom o suficiente”.

A paralisia que sentimos diz muito sobre a lógica que nos envolve: até o que era para ser alívio virou mais uma tarefa a cumprir.

E se você bordasse só por prazer?

Adiar o bordado não é falha. É um sinal.

Pessoa bordando com delicadeza um peixe colorido em tecido claro, representando o prazer de criar com leveza, arte e liberdade emocional.
Marilu Bordando. Foto de Anelise.

Um convite a escutar o seu tempo interno.

A dica é que a chave para superar a procrastinação no bordado não tem a ver com ser mais disciplinada ou aplicada, mas com ser mais gentil consigo mesma.

A bordar sem pressa, sem metas, sem plateia.

Permitir-se bordar sem justificativa — só porque sim.

Porque bordar pode ser também um ato de liberdade, um gesto de resistência silenciosa diante do mundo que grita por produtividade.

Quando o fazer se liberta da obrigação, o bordado volta a ser o que ele é: um espaço íntimo de expressão e cuidado.

E mais: estudos mostram que as práticas artísticas e manuais, feitas com regularidade, estão ligadas à melhora do bem-estar, à redução do estresse e ao aumento da alegria de viver.

Ou seja: bordar por prazer é também um jeito de se cuidar.

Mulher bordando à mão com atenção e delicadeza, expressando o prazer de criar com calma e liberdade em cada ponto do bordado.

Da pausa ao ponto: Um o convite a leveza do bordado

Da próxima vez que sentir bloqueio, faça um pacto consigo mesma:

“Vou bordar sem pressa, sem destino e sem querer provar nada a ninguém.”

Só você, a linha, o silêncio e a liberdade de criar sem justificativas.

E se quiser aprofundar neste caminho, leia bem assim: “Bordado Livre e sem destino: Descubra beleza no incerto”

Um texto que fala da beleza de arriscar-se criativamente ao bordar mesmo sem saber onde se vai chegar.

Mãos tocando uma tapeçaria colorida feita à mão, simbolizando o prazer de criar com liberdade, sensibilidade e expressão no bordado artesanal.

Três passos para destravar hoje mesmo:

      1.        Escolha uma linha e um tecido qualquer. E comece.

      2.        Dê três pontos — tortos, improvisados, do jeito que vier. Sinta o prazer do gesto.

      3.        Aproveite  e desligue o celular, respire fundo. Dê a si mesma o presente de estar inteira nesse momento.

O bordado não precisa ser belo, útil ou perfeito.

Ele só precisa ser seu.

E quando isso acontece, alinhavamos algo maior: a reconexão com a nossa própria liberdade de criar.

Brasília, 24 de julho de 2025.


Se você quiser dar os primeiros passos para resgatar o prazer de criar no bordado, com leveza, afeto e liberdade, eu te espero na…

Como é a oficina?

  • Oficina Presencial em Brasília.
  • Um grupo pequeno, intimista e acolhedor (máx. 10 pessoas).
  • Guiado por Marilu Dumont — psicóloga e bordadeira.

Próximo encontro:

📅 Dia 02 de agosto

📍 Brasília

⏳ Vagas limitadas

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