O post Descubra como o bordado pode transformar sua vida apareceu primeiro em Blog Matizes Dumont.
]]>Passado a limpo o primeiro ponto desse bordado íntimo, voltamos à questão:

Foto Marilu Dumont
Sim, pode. Quando se trata de arte, o assunto sempre envolve transformação ou metamorfose. Em outras palavras, a arte pode abrir um espaço original e único no mais íntimo de nós. A arte provoca, instiga, causa, mexe, tira a forma do lugar, reforma e trans…forma! Não por acaso governos ditatoriais desconfiam e até reprimem iniciativas artísticas.
Com a arte do bordado essa mesma alquimia de transformações acontece. E nesse caso, o protagonista é aquele que borda – são outras escritas e outras leituras.

Foto Marilu Dumont
Vou buscar meus fios de linha lá na Promoção da Saúde, que possui a dimensão física e a dimensão subjetiva, relacionadas a aspectos psicológicos.
Bordamos com o “corpo todo” e decerto que em sua dimensão física isso ajuda a manter agilidade nas mãos, vem a vontade de alongar, dançar, olhar o mundo de outra forma e rebordar em você as mudanças. Isso porque nos enche de alegria criar, “a(cor)dar”.
Foi observando as transformações em nós e nos outros que utilizamos o bordado livre como linguagem. Trazemos o bordar para os processos de autoconhecimento, justamente porque essa manualidade contribui para olhar para dentro e serenar a alma.

Foto Martha Dumont
Na estrada com linhas e agulhas observamos que sobre o tecido ao longo de mais de 36 anos de trabalho, que essa arte milenar é contribuição certa para melhorar a convivência com você mesma, entender seus limites. Vai melhorar o corpo em movimento, a serenidade da concentração, a autoestima, as emoções cheias de intensas cores e diminuir a ansiedade!

Foto Marilu Dumont
Segundo estudos desenvolvidos pelo médico cardiologista Herbert Benson – Professor de Medicina Integrativa de Harvard, “bordar e tricotar levam ao mesmo estado de relaxamento vivenciado pelos praticantes de meditação e Yoga. Além disso, depois do período de adaptação e aprendizagem, estas atividades manuais contribuem para diminuir a frequência cardíaca e pressão arterial, além de reduzir os níveis do cortisol – hormônio do estresse”.

Foto Marilu Dumont
Uma coisa é você bordar na companhia de si mesmo, e outra bem diferente é bordar com outras pessoas. Quando nos reunimos para qualquer tarefa, seja ela bordado ou não, uma série de sensações entram em cena pelo simples fato de estarmos reunidos, de compartir, de ouvir e escutar o outro, descobrir os nós e os fios que cabem nas agulhas. E é bom, não é mesmo?

São múltiplos os universos que interagem quando somos movidos por algo em comum. Nós, hoje, estamos reaprendendo a arte de compartilhar experiências, e as rodas de conversa ou o “bordando em roda“ sempre têm grande potencial transformador.

O Grupo Matizes Dumont desenvolveu sua própria metodologia para lidar com o bordado em processos de autoconhecimento, chamada (A)Bordar o ser, por acreditar na arte e no bordado livre como caminho. Esta vivência social e psicopedagógica é utilizada em diferentes processos individuais e coletivos, e vem propiciando a discussão sobre o cuidado consigo mesmo e com o outro; promove reflexões sobre a melhoria da qualidade de vida, a relação entre saúde e meio ambiente e o bem-estar físico e psicológico.

Bordado de bordadeiras de Potirendaba-SP
O bordado permite “um estar consigo”, e uma reaproximação com as emoções e sensibilidade. O trabalho com a autoria melhora a autoestima, propicia transformações importantes ao pensar, compartilhar, agir, ser. Contribui para mudanças internas, para melhorar o equilíbrio emocional, aumentar a confiança, para a superação de dificuldades, para a promoção da saúde e qualidade de vida.

Participantes revelam entusiasmo, constatam melhoria no humor, na compreensão da realidade e no desejo de imprimir novos movimentos em direção às mudanças de vida.

Centenas de pessoas foram envolvidas nestes processos coordenados pelo Grupo Matizes Dumont em diferentes situações ao longo de mais de duas décadas: projetos de inclusão social para geração de emprego e renda, mobilização social, e também no mundo do trabalho com profissionais de saúde, em instituições públicas e privadas, em sala de aula, psicologia clínica.

Neste longo caminho pespontado, o bordado foi reconhecido como prática da Promoção da Saúde, e é justamente pela sua possibilidade de mobilizar os conteúdos internos que vem sendo utilizado em processos terapêuticos, agora também por outros profissionais de saúde.

As vivências de sensibilização por meio do bordado nos aproximam de conteúdos internos, e esse encontro, consequentemente, promove transformações no pensar, no sentir e na forma de atuar no mundo.
Portanto, acredite, incluir na agenda um curso de bordado ou uma oficina (A)Bordar o ser, sozinha(o) ou bem acompanhada(o), será sempre uma possibilidade de transformar sua vida.
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]]>Para nós, Grupo Matizes Dumont, que crescemos entre rios e cerrado, toda a natureza é uma festa do olhar e dos sentidos. Uma festa que acontece em linhas harmoniosas e circulares na mesma mandala da vida – entre começos e recomeços flores murcham, fogo arde, sementes brotam e todos os seres criam sintonias em azuis da água. Lembro bem dos olhos d’água que nascem entre buritis e o ocre do barro das veredas – são os mesmos que nos comovem, correm pelas pedras e se encachoeiram alegria. É tudo festa de sentir, falar, cuidar e bordar!
A origem da água e da vida são fluídas, intensas. Festejar ao redor da água e com a água é celebrar a vida.
Essa tela mostra a beleza de ribeirinhos em volta de uma árvore bem na beira do seu rio. Ela foi criada num contexto de sons do mato, do vento, da alegria. É uma intensa representação da vida e da paisagem por “onde andou meu coração”, por onde transita a memória. Feita com emoção, benquerença, simboliza o aconchego, a alegria, vida. Festa de amor em vibrantes fios da água mais pura, leve, corrente e fluida.
Escolhemos para bordar linhas e fios de algodão por onde entremeia a luz da seda para a desta dos sentidos.
Um tempo depois virou capa de um belo disco do também ribeirinho Guarabira. A alegria foi do tamanho de nosso entusiasmo ao bordar cada ponto no pano em azuis.
A festa deveria mover nossa vida, nosso olhar, cada gesto na dança da vida para dias mais brandos, de cuidado, afeto, zelo e ternuras – as mais antigas.
Abraços em fios de celebrar a vida!
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Mãos Sábias de Brumadinho – Foto Marilu Dumont
Percepção, imaginação e liberdade
A arte pode ser uma forma de transformação da experiência do vivido em objetos que demonstrem sensação, percepção e imaginação. A arte acompanha assim a evolução pela qual o mundo passa.

Peça de vitral Demóstenes Dumont Vargas Filho 2021
A arte é plural, mesmo que o artista se inspire em tradições e ícones do passado – ainda assim ele inaugura algo novo por ser livre e autossuficiente.
Inventibilidade e aliança entre arte e natureza
A Inventibilidade é algo importante na criação de algo novo. Cópias tolhem e são piores que o original. Crie você mesmo, solte sua imaginação, pratique uma aliança entre arte e natureza! Experimente a arte por toda parte, dentro e fora de museus, entre alvas paredes das salas e entre delicadezas.

Grupo Carroça de Mamulengos – CE
Teatro, dança, música, pintura, poesia, literatura, tecelagem, cerâmica e os bordados, claro!
Viva a poesia, a fantasia, inspire-se numa volta às fontes!
Fontes primitivas. Como disse Vitor Hugo “É a mesma seiva espalhada pelo solo que produz todas as árvores da floresta, tão diversas quanto ao porte, aos frutos e a folhagem. É a mesma natureza que fecunda e nutre aos gênios mais diferentes”.

Bordado Dumont – Foto Marilu Dumont
Observe os gênios da pintura e da arte em geral. Esse convívio vai fazer bem a você e servir de inspiração.
E o bordado?
O bordado é feito de ritmos, das experiências, crenças, sensações da bordadeira (o). O produto criado está impregnado de histórias do vivido.

Mãos de Brumadinho – Foto Marilu Dumont
Mesmo que a pessoa que borda não tenha a intensão de dizer algo, no momento exato os dedos perfuram a trama do tecido, fluem, contradizem, transfiguram o campo a ser bordado e criam algo novo.

Árvore da Vida – Especial bordado Demóstenes Dumont Vargas Filho 2022
Permita-se escolher suas próprias fontes e cores, percorra as linhas do encantamento.

Bordado Dumont – Foto Marilu Dumont
Todos somos capazes de produzir trabalhos belos, harmoniosos e até mesmo sublimes. Acredite! Isso é possível, desde que deixe sua sensibilidade e ousadia brotar!
O exercício da arte de bordar (como em todas as artes) é solitário e ainda assim pode ser coletivo, o que enriquece a experiência.

Foto Oficina Martha Dumont
Nos múltiplos momentos podemos nos maravilhar com o poder da criação; seja como autores, espectadores, somos convidados a ser um e todos, e principalmente a viver o presente.
Por isso: carpe diem (ou curta o momento) ao fluir e fruir do seu momento de convívio com a arte!
Demóstenes Dumont Vargas Filho

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]]>O post Bastidores da obra bordada: Mulher que borda águas apareceu primeiro em Blog Matizes Dumont.
]]>Meu interior aflora
No destino de ser água
Que o Sol evapora
Pra depois chover
Ofereço a minha vida
Derramada em cachoeiras
(Hilton Accioli – Espelho De Água)
Para celebrar esse dom que a água generosamente nos dá, rebordei esse texto e selecionei a tela “Mulher que borda águas”, onde a mulher pesponta suas águas, sonhos e esperanças em intensidade de cores e movimentos.

Mulher que Borda Águas
Senhora de vales e montanhas, brejos, pés de serra, a água segue bordada nesta obra em sua poética fluida, com suas incríveis cantigas, murmúrios, risadas de cachoeira. Leve e sem forma, percorre o chão em meandros. Em sua carreira dissolve e rola pedras, pedrinhas, infiltra em fenda de qualquer tamanho e brota nas veredas depois da chuva. Assim, a “Mulher que Borda Águas” é a própria água nas representações em pontos soltos e leves, escorrendo em abundância tantos azuis sobre amarelos.
A origem da vida é fluida e líquida.

Milagre das águas – Demóstenes Dumont Vargas Filho 2018
A base de toda vida tem seu comecinho na forma sem forma da água. Interessante dar uma paradinha nessa reflexão…
A maior parte da água do planeta está oculta em misteriosos mundos subterrâneos, ou infiltrada em terrenos matizados de areia, cascalho e limo. A água nasce quieta em olhos d´água e ganha mundo em jornada incansável. Se for predestinada a ser cachoeira, ela deixa o silêncio de lado e flui na sua cantiga em alegrias, bordando vidas por onde passa. Quando se encachoeira, perde a timidez do corguinho e borbulha fogosa em estrondosas quedas. E tem as águas tão internas que são nossas veias a regar nossa alma e humanidade.
Levemente faceira ou perigosamente empolgada, revela-se líquida, pode ficar sólida e ainda sabe evaporar quando se enamora de nuvens, dançando ciclos amorosos de muitas vidas.
E quanto mais essa prosa fala de água, mais é possível perceber os aspectos comuns entre a mulher e a água.

Mulheres e águas – Demóstenes Dumont Vargas Filho 2018
O dom da vida, a adaptabilidade no exercício de múltiplos papéis na sociedade, a versatilidade de poder se renovar e ser feminina em diferentes vozes e faces de menina, moça ou mulher.
Pelas mãos da mulher, a vida transborda cheia de iluminações, cores e novos alumbramentos. A mulher, como as árvores, é incansável ser que borda águas para o renascer da vida. Mulher, Água, Árvore. Elas se organizam em forte pacto pela VIDA, sem medo como a moça barranqueira que sabe que “a margem é bonita, mas a correnteza é forte”.
Está com a tela “Mulher que borda águas” em sua frente? Vamos observar essa cumplicidade mulher e água. Tente absorver o semblante concentrado dessa mulher que borda fios d´água. Sinta a dança espiralada que emana de suas mãos tranquilas e atentas…veja como essas mãos bordam águas azuladas e céus amarelados. Há azuis nos amarelos e amarelos nos azuis. Imagem da doce mistura. Da diversidade que cria mundos sem fim. Nos fios que se alinham, um jarro florido reafirma a vida, a beleza das flores, a esperança de belos amanhãs!
Sabemos de nossa inconsciência quanto à urgência de fazer uso sustentável da água. Essa consciência é bordada no coração: água como bem querer, água como bem comum! Ponto a ponto precisamos nos educar sobre esses valores, citados por Vera Catalão em publicação de 2018, num caderno do Projeto Entre Rios . Enquanto reduzirmos a água a um mero ‘recurso hídrico’, deixaremos de pensar nela com a reverência condizente à grande dama da Vida.
Vamos fazer um ajuste consciente na forma como nos relacionamos com a água?

Desenho Demóstenes Dumont Vargas Filho 2018
Inspire-se na “Mulher que borda águas” e tome emprestado seu espírito por uns dias. Toda vez que lavar as mãos (e temos lavado muito nestes tempos!), sinta que sua pele é tocada por uma divindade de primeira grandeza. Conecte-se com ela ouvindo a música que ela toca ao jorrar livre da torneira. Valorize e honre cada gota sem desperdício algum.

Desenho Demóstenes Dumont Vargas Filho 2018
Em outro momento, prepare um banho de ervas – se possível, ervas frescas. Se quiser banho de limpeza, use manjericão ou arruda. Se preferir energizar-se, use alecrim. Macere as folhas e adicione água morna aos poucos, em quantidade suficiente para molhar dos pés à cabeça. Em cada fio de água que descer pelo corpo, sinta gratidão pela vida e deixe ir embora o que não deve ficar.
Neste dia em que celebramos a água, fica aqui o nosso chamado para a proteção de cursos d´água e nascentes.
Gente que borda entre rios cresce quando se junta!
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]]>Para este mês da mulher, escolhi reenviar algumas telas para principiar uma prosa e contar o motivo que pulsou por trás da dança entre agulhas e linhas, em cada um desses bordados de imagens femininas. Vou começar pela moça Aurora, na obra “Danças da Vida”, bordada em intensos amarelos e cores iluminadas.
Esta obra foi criada para ilustrar o livro A MOÇA TECELÃ, da Editora Global, de autoria de Marina Colasanti, que ganhou o Selo de Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ.
Pelas mãos da mulher são criados novos movimentos, bonitezas que se espalham pelos mundos. Observem a intensidade dos fios de Aurora, essa cor de dia brotando e se desnovelando pelo céu e chão. Aurora é expansão da vida e do andar tecendo belezas, puxando os fios de sol mais lindos que se pode alcançar. É “pedra de amolar”, despertando sentidos para avessos e recomeços. É jardim colorido como recado de esperança. Vamos bordar e rebordar auroras em nosso dia a dia? Vamos amolar nossos toás internos?
Já estamos em março e, pensando bem, ainda é tempo para se escancarar portas e janelas em movimentos de expansão da criatividade e abertura para descobrir o novo, muito bem representado pela Aurora na nossa tela Dança de da Vida.
Bordamos belezas desde crianças…belas águas, belas pessoas, belas paisagens, belo viver! Nosso trabalho, em 36 anos, é uma bordação com fios das bonitezas. Entendemos que Aurora é um mundo de possibilidades…
Nosso convite é: venha com a gente, neste mês, bordar auroras no dia a dia… auroras em nosso pensar e em nosso agir. Vamos puxar mais o fio da fé, da confiança, inspirar-se sem medo em novos ideais e ser mais persistentes, intensas como o sol que se irradia para todos.
Abraços entrebordados com fios d’água.
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Publicado em: 18/03/2022
Atualizado em: 07/03/2023
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]]>Anteriormente, em outro artigo, eu trouxe os amarelos e cores da Aurora na tela “Danças da Vida”. Hoje continuo com os tons brilhantes, agora revelando secretos contrastes em tantas harmonias de vida e de cores na tela “Mulher e seu Jardim”.
Essa obra que foi criada em 2016, é muito atual nesses tempos de bordar jardins possíveis. A mulher em sua delicada fortaleza foi bordada sobre tramas tecidas de tear mineiro. As cores iluminadas em ocres e amarelos, os fios naturais de algodão e lãs brasileiras e importadas, e outras linhas em diversas texturas.
Foi pela primeira vez exposta em Tiradentes- MG, no Espaço Cultural Ivens Alves. A técnica utilizada foi o bordado livre, sob os desenhos de Demóstenes Dumont Vargas Filho.
Em “Danças da Vida”, o sol encobriu a lua e escondeu as estrelas da noite para anunciar o dia, inspirando os alegres movimentos da jovem Aurora. Na tela de hoje, a mulher se mostra em quietude, bordando e tecendo em plena calma e harmonia com o Todo. Fio por fio, semblante nobre, atento e reverente ao ato de criar – um convite à contemplação, reflexão e quem sabe à ação, representada pela pequena agulha e linhas em movimentos de construir!
Faça isso esta semana: escolha uma música suave e contemple esse bordado por alguns minutos. Lembre-se de Aurora, moça da tela anterior “Danças da Vida”, das cores aquecidas pela força do amanhecer. Depois contemple a “Mulher e seu Jardim” – a mulher confiante na Vida, dona da paciência necessária às tecelãs de jardins sem fim. Mulher estável – como um tronco de árvore. Note como ela emana a sabedoria de quem conhece os tempos de Gaia. A tranquilidade de quem sabe que frutos e flores não conhecem pressa e só vêm no devido tempo.
A imobilidade aparente dessa mulher é, na realidade, expressão de leveza dentro da matéria – matter, matriz, mãe. Ela não está parada. Ela é o eixo, é mãe que borda vidas. Suas mãos fazem a dança criativa do sem começo e do sem-fim. Mulher geradora de vida, tecelã de cumplicidades com a Grande Mãe… ambas a tecer infinitos fios coloridos de amor e beleza, viajantes cósmicos que nutrem a Teia da Vida.
Puxo, agora, o fio da mulher na História. Seu percurso entrebordado de batalhas, muitas derrotas e outras tantas vitórias. Mulheres líderes, desconhecidas ou não, e que fazem suas luzes brilharem noite e dia no firmamento do eterno – feito estrelas ou como centelhas ocultas, caçadoras de brechas nos mais escuros recantos de mentes e corações acinzentados. Lá estamos nós – decididas e encantadas, luzindo mundos, em silencioso diálogo com os fios que desnovelam meadas de jardins possíveis.

Foto Marilu Dumont – 2022
Nessa doce bordação de jardins possíveis, sempre nascerá uma menina talentosa, de coração novo e todo verde de esperança! Sempre haverá o impulso de bordar auroras e tecer belos jardins. Você e eu estamos nessa ciranda de mulheres que bordam seguindo a força do rio que flui. Das margens só levamos lembranças…que sejam, então, buenos recuerdos.
A obra “Mulher e seu Jardim” é cheia de simbolismos e significados e me toca muito. Fascina pelo sentido de harmonia, serenidade, mas também porque o resultado do bordado mostra claramente que a visão de bordadeira escolheu cores gostosas de se percorrer com o olhar. Harmonia, equilíbrio, concórdia… amarelos e laranjas em fortes caprichos salpica de luzes azul, lilás e verde. Os tons conversam entre si e resultam no que chamamos de “Harmonia Tríade”, presente em cada cantinho deste bordado.
Fazer harmonia tríade uma surpresa da bordadeira, que buscou na memória afetiva os atraentes contrastes entre cores frias e quentes. Encontrou, nas lembranças, o lugar aonde os azuis combinam brincadeiras com amarelos e ocres, contagiando o cinza que se anima todo com os tons de terra do chão do cerrado. As cores escolhidas estão em posição triangular no “Círculo Cromático”, aquele círculo impressionante onde as cores se arrumam para nos oferecer opções de infinitas composições para nossos fios. E eles são tantos!…
Os fios que temos são os talentos que recebemos. Pare e pense comigo: meus fios estão organizados? O que estou bordando, tecendo? que novas tramas estou urdindo? Onde e como estão os meus jardins? Estou bordando, em meu próprio coração, as sementes de um novo tempo? Perguntar é como dar uma agulhada pra espantar a inércia, serenar a mente e avançar no caminho. Vamos lá, queridas mulheres bordadeiras e tecelãs de jardins encantados – nossas agulhas não podem parar! Quando sentir esmorecer, dá uma olhadinha na “Mulher e seu Jardim”. Respire sua força e capture de suas mãos um dos fios brancos de luz pra luzir seu coração!
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Atualizado em: 10/03/2023
Publicado em: 18/03/2022
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]]>“Enquanto o mundo enlouquece, a mão que borda exerce um outro jeito de prece!” (Do poeta TT Catalão para o Matizes Dumont)
Criatividade não faltava a TT Catalão, nosso amado poetinha, como gosto de chamá-lo. Belamente ele trouxe a síntese do que podem ser as mãos. A mão que borda, a mão que afaga, a mão que ama…e constrói a Paz.

Vestido das águas. Bordado Matizes Dumont – Foto Marilu Dumont
Nem sempre foi assim. Sabemos que houve um tempo, no passado mais longe que se possa imaginar, em que usávamos mãos e pés para caminhar. Um belo dia no caminho das adaptações e da evolução humana, não sei como, ficamos de pé!
Segundo cientistas, foi aí que tudo mudou…nenhum ossinho ficou do mesmo jeito. O crânio cresceu e ganhou novo encaixe, a visão se expandiu para o horizonte e o sol na cabeça verteu luz pela coluna vertebral para divinizar a criatura que, um dia, há de ser realmente humana…com isso vemos que a obra não está acabada! O bordado continua na vida e nos gestos mais delicados.

Pintura de Pablo Picasso – Arquivo da Internet
A mão, a visão e o cérebro estão fortemente ligados ao fazer.
E há muito a fazer, transformar, reinventar, rebordar. Investigativas e fazedoras pela própria natureza, as mãos oferecem, recebem, conhecem e se dão a conhecer.

Curiosidade. Foto: Marilu Dumont
Trabalhar com as mãos e dar asas à curiosidade pelo mundo afirmaram nossa essência criativa. E desde a primeira agulha de osso, uma ancestralidade de costureiras e bordadeiras foi criada. Usando a técnica para facilitar e a arte para embelezar, a vida transcorreu na multiplicidade de povos e culturas.

Bordado na Ciranda de filmes Foto Marilu Dumont
É fato que algumas mãos um tanto desconexas deixaram-se levar pelo medo, abrindo portas para ganância e crueldade. Em vez da alegria de compartilhar, elas escolheram o medo da escassez e a insensatez do estoque. Necessidades de poder guiadas pela geopolítica para guerra desnecessária como a que se vê hoje. Não puderam entender que, como o mineiro Beto Guedes diz na canção, “um mais um é muito mais que dois”. Assim chegamos no mundo de hoje, que vive, claramente, uma reinicialização onde mãos, corações e mentes são convidados a trabalhar pela paz, harmonia e reintegração dos seres.

Diferentes tipos de mãos sempre existiram e são essas que agora devem sinalizar com alvoroço que existem outros modos de viver.
Falo das mãos que tecem belezas. Mãos caçadoras de beleza que se unem pelo bem comum. Mãos que afagam, cumprimentam, curam, benzem, agradecem, abençoam, plantam, colhem e compartilham pão e vida…mãos que urdem, no silêncio da noite, uma trama mais humana.
Trama feita de sol que alumia e clama por uma nova história aqui na Terra. É a luz do dia que está chamando pro meio da roda toda essa gente que borda vida bonita, fraterna e feliz. Despertar olhar como num caleidoscópio em busca de outra harmonia, em alquimias com o que há de mais interno. Buscar conexão com os caminhos e luzes da vida em movimento, como em Harmonia das Cores nos fios do bordado.

Vamos criar novas tessituras e descobrir nas entrelinhas, entrecores e entrenós, um tecido-vida mais bonito? Então, sejamos todos o pano, a linha e a agulha nas mãos que transformam!
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Anônimo Ouro – Foto Marilu Dumont fevereiro 2022
Não é de hoje que o bordado apoia pessoas em situação de sofrimento em razão de transtornos psicológicos em todo o mundo. Ao longo dos anos de trabalho e escuta sensível do Grupo Matizes Dumont chegam relatos que comprovam a efetividade dessa prática na promoção da saúde mental. Segundo jornais como The New York Times e Folha de São Paulo, estudos desenvolvidos pelo médico cardiologista Herbert Benson – Prof. de Medicina Integrativa de Harvard, relacionam as práticas de ofícios que envolvam a manualidade com o bem-estar psicológico.
O Brasil é o segundo país das Américas com o maior número de pessoas depressivas, segundo a Organização Mundial da Saúde. São 5,8% da população que por diversas razões adquiriram depressão com o passar dos anos.

Indizível tecelagem – João Cândido Villares – Foto Marilu Dumont fevereiro 2022
O processo saúde-doença relacionado a esses transtornos acima é complexo e tem muitas causas e combinações, que vão desde fatores genéticos, ambientais, psicossociais até a constituição do sujeito enquanto pessoa inserida em uma sociedade com diferentes valores e fontes de pressão sobre ele.
Esse mesmo sujeito muitas vezes é impactado com a produção em série, padronização do trabalho, com a complexidade do mundo – mundo das informações instantâneas. Viver em meio a esse conjunto de situações pode afetar as relações consigo mesmo e com o outro e carece que se adote estratégias para a superação dos desafios ou até mesmo para conviver com um transtorno vida-a-fora. Na atualidade e em tempos de pandemia todos nós precisamos encontrar caminhos para nos aproximarmos da beleza, da vida saudável, da alegria nas pequenas coisas. Coisas que passam despercebidas e para as quais muitas vezes nem se presta atenção.

Luzes e tramas – Foto Marilu Dumont fevereiro 2022
Cadê o tempo para apreciar o belo, para a expressão da criatividade, para o fazer com as próprias mãos? Nos distanciamos das pequenas coisas simples que nos trazem felicidade. E estamos mais abertos para descobrir o novo?
JÁ PENSOU QUE ESTE MOMENTO PEDE REFLEXÕES SOBRE A ARTE DE VIVER E O VIVER COM ARTE?
Nesse sentido é bom lembrar que a convivência com as diferentes expressões da arte pode trazer benefícios para cada um de nós. Traz emoção, leva a uma mudança de estado de espírito. Traz encantamento, arrebatamento.

Arte de viver com arte Bordado Matizes Dumont
Foto: Marilu Dumont 2022
A arte como catarse, como alívio emocional que sentimos quando apreciamos obras culturais ou ao praticarmos manualidades. Coisas a se pensar…
O BORDADO É UMA VIVÊNCIA ALTAMENTE PROMOTORA DE SAÚDE EM DIFERENTES DIMENSÕES
Podemos citar duas dimensões da Promoção da Saúde: dimensão física e a dimensão subjetiva, relacionadas a aspectos psicológicos.

Foto: Dimensões – Marilu Dumont fevereiro 2022
Ao pensar sobre isso, lembramos que o crochê, o tricô, a tecelagem e o bordado no cotidiano brasileiro foram utilizados por centenas de mulheres anônimas que dentro de casa o usavam como prendas domésticas ou para melhorar a renda.

Circularidade e vazios – Croché de Sinhana Diniz Araújo
Foto: Marilu Dumont 2020
Em alguns casos, provavelmente, elas recorriam a essa manualidade como “sobrevivência psicológica” diante da pressão da sociedade sobre a alma feminina, representada pelo círculo fechado do bastidor. Em diferentes momentos da cena brasileira mulheres e homens bordavam a sua história em situação de conflito, de dor, de busca de suas garantias de sobrevivência.

Emoções – Bordado Matizes Dumont
Foto: Marilu Dumont 2021
Além das bordadeiras desconhecidas e desvalorizadas, podemos encontrar na literatura referências de bordados do marinheiro João Cândido, líder da Revolta da Chibata que bordava no cárcere; Virgulino, o Lampião em cujo bando saber bordar era uma condição para subir de patente. Além deles, Arthur Bispo do Rosário e José Leonilson também utilizaram o bordado como caminho.
Do mesmo modo, após a Primeira Guerra Mundial muitos veteranos dos países que participaram do ocorrido tiveram várias sequelas. E para reduzir as consequências da Guerra o bordado foi a terapia alternativa utilizada para veteranos ex-combatentes na Austrália (Emily Brayshaw no Jornal The Guardian, 25 de abril de 2017, How embroidery therapy helped first world war veterans find a common thread)

Ahh…Vida – Bordado Matizes Dumont
Foto Marilu Dumont 2022
Em sua dimensão física o bordado é capaz de trabalhar as articulações, estimular e exercitar o nosso cérebro.
Na dimensão subjetiva nos fortalece porque alivia as tensões, diminui o stress, cria espaço interno de acolhimento, serenidade, descobertas, foco, memória, o que se resume em alegria, disponibilidade para a vida.
OUTROS PONTOS DO BORDADO E DO CUIDADO QUE FAVORECEM A RESILIÊNCIA PARA DESFAZER OS NÓS DA DEPRESSÃO

Buscas – Foto Marilu Dumont 2022
A ARTE COMO UM CAMINHO DE DESCOBERTAS, DE TRANSFORMAÇÕES E SAÚDE

Grafismos – Bordado Matizes Dumont
Foto Marilu Dumont 2021
Bordar não tem idade! Seja no trabalho, escola ou no período de aposentadoria, o bordado é uma das atividades mais indicadas na redução da ansiedade e no combate à depressão.
Apesar da imagem de que o bordado só é praticado por mulheres mais velhas, a realidade hoje é outra. Cada vez mais pessoas de todas as idades se interessam em bordar. São crianças, jovens e adultos, homens e mulheres que praticam o bordado seja como uma forma de lazer, de brincadeiras, seja como maneira de melhorar a renda doméstica, ou ocupando espaços nas galerias de arte.

Em Busca do Ser – Foto Marilu Dumont 2022
Bordar é uma gratificante oportunidade para alegrias e descobertas. Além do aspecto lúdico, de sensação de bem-estar e conforto, possibilita expressar sentimentos e registrá-los com agulhas e linhas. Sejam eles de medo, de raiva, de tristeza, transmutar em movimentos de superação, de redescobrir-se criando novos recursos e melhorando a autoestima e confiança.
Nas Rodas de bordado – ou Bordando em roda utilizamos a Vivência psicopedagógica (A)Bordar o Ser, que promove escuta acolhedora, vínculo e integração – palavras-chave em qualquer processo terapêutico, e isso contribui muito para o atendimento de pessoas com ou sem transtornos psicológicos.
No desenvolvimento dessas rodas de bordado muitas participantes tinham sinais leves a moderados de depressão, ansiedade, e posteriormente relataram que o bordado contribuiu para significativa melhora. Isso porque o bordar traz alento e reorganização criativa nas circunstâncias vividas, e pode auxiliar as pessoas com traumas e outros transtornos psicológicos pela oportunidade de aproximação com o Ser sensível dentro de cada pessoa, o que contribui na busca da superação da dor.

Dobras da alma – Bordado Matizes Dumont – Foto Marilu Dumont 2021
SUGERIMOS QUE NO CASO DE DEPRESSÃO OU QUALQUER OUTRO SOFRIMENTO MENTAL PROCURE AJUDA MÉDICA E OU PSICOLÓGICA.
ENCONTRANDO ALGUMA DIFICULDADE PARA LOCALIZAR UM PROFISSIONAL BUSQUE AJUDA EM ALGUM SERVIÇO SOCIAL.
ALÉM DISSO LEMBRE-SE QUE O APOIO DOS AMIGOS É ALGO MUITO BOM PARA AJUDAR A ENCONTRAR SEUS CAMINHOS.
Esta nossa conversa aqui é também para convidar você para o desafio de arriscar-se, de tomar contato com o seu potencial criativo, para ampliar o conhecimento de si mesma por meio do bordado. Atividades como essas podem ser uma das suas práticas de cuidado, aliviar esse estresse desnecessário do dia a dia.

Festa. Bordado Matizes Dumont – Foto Marilu Dumont fevereiro 2022
Pelo cuidado podemos cultivar um olhar amoroso a partir do nosso corpo, que é nossa primeira casa. Como disse o poeta TT Catalão “o meio ambiente começa no meio da gente”.
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]]>O bordado requer alegria, disponibilidade para brincar. Carece de experimentar o novo, sejam cores ou materiais.
Perder o medo e ousar para dar texturas, volumes e fazer o seu registro com agulhas e linhas.
Depois de pequena pausa retomamos nossas lives do Projeto BORDE EM CASA com muitos Pontos de Prosa para 2022. Na próxima terça feira, dia 08 de fevereiro, convidamos o artista plástico Demóstenes Dumont Vargas Filho para mais um encontro com muita surpresa boa.
Demóstenes é integrante do Grupo Matizes Dumont, e é a linha atemporal, poética, que visita a arte ancestral e desenha outras linhas de forma amorosa agorinha mesmo para o nosso bordado.
Esperamos você e convide os amigos.
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]]>O post Como fazer Ponto Matiz com Sávia Dumont apareceu primeiro em Blog Matizes Dumont.
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