Na semana passada nosso “Ponto de Prosa” aqui foi sobre a “Sustentabilidade nas mãos e nos fios do bordado”, onde começamos a falar sobre retalhos, bordados e sustentabilidade.
Falamos da linha solta da criação com retalhos que pulsa entremeada de afetos, histórias que insistem em permanecer e florescem de novo.
Para ilustração deste artigo a que me refiro, todas as fotos, são de obras feitas, sem exceção, a partir de reaproveitamento de pedaços de panos da tecelagem e de meus guardados de anos.

Na atualidade descartamos quase tudo e nem pensamos sobre o que isso impacta na nossa vida.
Muitas vezes o descarte é de tecidos, objetos antigos como toalhas de mesa, pequenos vasos, móveis peças que um dia ornamentaram a casa ancestral.
Objetos, memórias, tudo vai parar no lixo.
Mas o bordado nos mostra outra forma de convivência: nada é sobra, tudo pode ser transformado e quem saber, reacender lembranças, renascer.
Reaproveitar retalhos para bordados é criatividade, é resistência, é recusa ao desperdício.

O bordado nos lembra que pode haver recomeços entre os materiais guardados.
Em nossas mãos a possibilidade de transformá-los em arte, de reafirmarmos que é possível criar sem desperdiçar, reaproveitar, resistir sem perder a delicadeza.
Para criar um bordado com tecidos reaproveitados
O bordado com tecidos reaproveitados não exige grande investimento.
Você vai precisar de um pedaço de tecido para o suporte, ou a base, e pra completar retalhos, de algodão, de renda ou lã, pequenas peças de crochê, botões encontrados entre seus guardados.
Junte sua alegria, e aquele desejo de criar e siga em frente!

Para aproveitar as sobras de tecidos e linhas recomendo a técnica de aplicação, que é uma técnica desafiadora, clássica, versátil, econômica e sustentável, claro.
Ela permite criar peças cheias de encantos e baixo investimento em materiais. Muito interessante para experimentar algo novo pelo caminho e deixa a curiosidade fluir para a surpresa do resultado.
Bora seguir um caminho simples para transformar sobras em uma peça bordada:
Escolha um risco com perspectiva visual
Busque desenhos simples, mas com diferentes planos: perto, meia distância e longe.
Quer um exemplo? pense numa paisagem com montanhas, árvores e flores. Essa estrutura facilita a composição com tecidos diferentes e traz mais impacto ao resultado final.

Revire seus guardados
A gaveta de panos antigos pode esconder bonitas lembranças. Camisas velhas, lençóis, cortinas, tudo pode ganhar vida nova.
Separe os tecidos por cor e por tom (claros, médios e escuros) — isso vai ajudar na composição do seu bordado.

Dica: itens como botões, rendas, sianinhas ou até um pedaço de bordado antigo podem virar detalhes da sua obra.
Prepare os materiais com cuidado
Caso necessário lave os tecidos com sabão neutro para remover poeira e resíduos. Evite amaciantes químicos.

Se quiser brincar ainda mais, pode tingir alguns pedaços com chá preto, casca de cebola, urucum ou café — criando uma paleta especial e afetiva.
Desmonte as peças com calma: descosture ao invés de cortar, preservando o máximo possível dos tecidos.
Defina o suporte (base do bordado) escolha uma base firme para bordar
Tecidos como o algodão cru, linho funcionam bem como suporte.
Eles precisam ser resistentes para aguentar o peso das aplicações e os pontos que virão.

Experimente a composição antes de fixar no pano de fundo
Distribua os recortes sobre a base ou pano de fundo do seu bordado.
Teste contrastes entre liso e estampado, claro e escuro. Reorganize até sentir que a está agradável ao olhar.
Esse é um momento livre e intuitivo, onde não existe certo ou errado.
Fixe os recortes e comece a bordar
Use alfinetes para segurar os retalhos no lugar e a seguir:
Alinhave com linha clara, preparando o campo para bordar.
Contorne com pontos simples: Utilize pontos que já conheça, como ponto atrás, caseado, alinhavo. Caso queira mais delicadeza use o ponto Paris para aplicar os pedaços de tecido.
Acrescente detalhes e figuras em cada plano, como pessoas, flores, árvores e mais o que sua imaginação pedir.
Dica: comece por projetos pequenos, como um marcador de livro ou um broche, para ganhar confiança.
Um bordado que devolve o prazer de criar e valorizar processos
Bordar com materiais reaproveitados reafirma nossa escolha pelos processos que vão desde a valorização do olhar, dos sentimentos, do tempo de fazer.
Da memória do vivido e da autoria ao sentido do seu movimento a favor da sustentabilidade do planeta. Tempo em que retalhos, bordados e linhas e a vida bordadeira têm valor.

Se nossa prosa aqui fez você pensar na riqueza que tem nos retalhos bordados, comenta aqui embaixo.

Brasília, artigo atualizado dia 03 de setembro.







