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A Arte de Transformar: Democratizando a Criatividade no Brasil

  • 20/02/2025

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Desde criança, a criatividade nos pertence. Desenhamos sem medo, dançamos sem vergonha nenhuma, imaginação é sem fronteiras. Mas, conforme crescemos pernas que antes corriam são paralisadas,  algo se perde. A nós são repassados preconceitos, e a partir daí passamos a acreditar que a arte  de transformar é um privilégio reservado apenas aos “artistas”, afastando-nos, assim, do seu poder transformador e libertador.

A Arte de Transformar através da Ilustração do livro Exercício de Ser Criança de Manoel de Barros

Bordado Matizes Dumont sobre desenho e Demóstenes Dumont Vargas Filho.Ilustração do livro Exercício de Ser Criança de Manoel de Barros

Transformar e ensinar arte? Ah…isso vai além da simples transmissão de técnicas. Trata-se de abrir portas para a imaginação, para a intuição e para uma nova percepção do mundo.  

A Arte transformando crianças numa exposição de Bordado

Criança numa exposição de Bordado

A arte não é meramente um passatempo; é uma linguagem rica e expressiva. Ela comunica o que as palavras não dão conta de dizer, dá forma a sentimentos invisíveis e à memória resgatadas adormecidas. O seu poder de transformação está exatamente aí: no viver a arte sem moderação!  

Desde a Grécia antiga, a expressão artística no ser humano é um assunto levado a sério. Aristóteles já falava da catarse que a arte proporciona à alma, referindo-se ao alívio emocional que sentimos quando apreciamos certas obras culturais. Isso porque a arte comunica emoção ao seu espectador, levando a uma mudança de estado de espíritos, ou seja, causando um encantamento 

Arte Transformando mulher ao visitar uma exposição de bordados

Espanto da mulher ao visitar uma exposição de bordados.

Por aqui na Terra Brasilis, são muitas as  expressões artísticas presentes na arte contemporânea, com grande impacto para aquele que toma contato com a obra. 

Obra Futebol, Candido Portinari. Imagem de Projeto Portinari.

e nas tradicionais festas populares, nos saberes e fazeres que atravessam gerações, em celebrações e rituais, classificadas como patrimônio cultural imaterial são de imensa riqueza. Ocupam lugar de honra na memória de um povo, sendo mesmo formadora e mantenedora de sua identidade. Há que se preservá-las. 

Obra Brincadeiras Brasileiras. Grupo Matizes Dumont. Clique aqui para acessar a obra.

Agora, puxando o fio pra nossa meada de gente que borda e transborda, o bordado se encontra aí nesse lugar de honra da nossa cultura, em particular de Minas Gerais, onde nascemos e crescemos. As maneiras dessa gente se manifestar e encantar a todos que passam pelas Minas e pelas Geraes se revelam por todo canto, em cada casa, em cada espaço onde vive, aprende e convive o povo mineiro. 

Pintura Maria José Vargas Boaventura – Tiradentes – MG

Contos, danças, crenças e devoções, sabores e afazeres. Doces, biscoitos, quitandas, peças artesanais de barro, flandres, brinquedos, renda, costura e bordado. São encantos que sobrevivem esquecidos na memória ou em pequenos espaços a que podemos chamar de EnCantos do Saber Tradicional, criados por mãos e corações de grandes mestres das artes e ofícios populares. 

O mais maravilhoso do mundo das artes é que ele não cabe em si e vai criando outros mundos, dentro e fora de todos que interagem com a arte! Você, em casa, nas escolas, no trabalho pode trazer a beleza, o cuidado e a harmonia para mais perto, beneficiando sua vida com o bem-estar do convívio com a arte. É como se a inspiração que tomou a alma do artista saísse de sua obra cada vez que fosse apreciada. Quando olhamos um belo bordado, por exemplo, não raro pensamos, após o êxtase do encantamento, como foi que mãos humanas conseguiram a mágica síntese entre técnica e arte! 

Pintura Maria José Vargas Boaventura – Tiradentes MG

É bom frisar aqui que o patrimônio imaterial é diferente de bens culturais móveis e imóveis, mas também precisa ser cuidado. Isso é feito pela identificação, reconhecimento, registro etnográfico, acompanhamento periódico, divulgação e apoio. É por isso que não cansamos de Bordar para Fluir, de (A)bordar o ser, de andar por Quintais e Entre Rios, seguimos Semeando Esperança e Bordando a Paz, todos esses projetos que levam saberes tradicionais mundo afora e corações adentro.  

Obra Gente Brasileira. Grupo Matizes Dumont.Clique aqui para acessar a obra.

Caminhos para democratizar a Arte – arte por toda parte 

Arte por todo canto faz da vida um encanto é mais do que um jogo de palavras para que a arte se torne realmente acessível a todos – é a síntese de algumas ações fundamentais que comento a seguir. 

A necessidade que governos e instituições culturais fortaleçam e implementem programas que incentivem e preservem o patrimônio imaterial de nossa cultura. Isso inclui o financiamento de iniciativas que promovam festivais, exposições e projetos artísticos que celebrem a diversidade cultural. Além disso, é necessário criar plataformas que permitam a participação ativa da população na definição dessas políticas, garantindo que as vozes de diferentes comunidades sejam ouvidas e respeitadas. 

Encontro das Encantarias. Evento ocorrido durante a 7° Semana Criativa de Tiradentes. Foto de Anelise.

Fortalecer e integrar a arte na formação infantil como algo fundamental para cultivar a sensibilidade, a criatividade e o pensamento crítico desde os primeiros anos de vida. A inclusão de disciplinas artísticas no currículo escolar, aliada à capacitação de professores, pode despertar o interesse dos alunos e proporcionar experiências ricas em vivências criativas. Essa abordagem contribui significativamente para uma educação mais abrangente, formando cidadãos mais empáticos e conscientes de seu papel na sociedade. 

Carlos Rodrigues Brandão, renomado educador e defensor da educação popular, enfatiza que a educação é um processo contínuo e coletivo, onde “aprendemos uns com os outros”. Essa perspectiva é essencial ao considerar a integração da arte na educação, pois promove um ambiente de aprendizado colaborativo e respeitoso. Brandão argumenta que a educação deve partir da realidade concreta dos alunos, respeitando suas diferenças e valores, o que se alinha perfeitamente com a proposta de incluir a arte como um meio de expressão cultural e social. 

A proposta de Ana Mae Barbosa, também complementa essa visão ao enfatizar a importância do fazer artístico, da apreciação da obra de arte e da contextualização histórica da arte. Essa metodologia não se limita à reprodução mecânica de técnicas artísticas, mas busca promover a interpretação e transformação criativa, resultando em um aprendizado significativo.  

Entende-se que ao integrar a arte na educação básica, as escolas têm a responsabilidade de oferecer aos alunos oportunidades para explorar e valorizar diversas culturas e manifestações artísticas, respeitando e celebrando a diversidade. Assim é que a educação artística deve ser vista como um componente essencial do currículo escolar. Essa integração não só enriquece o aprendizado das crianças, mas também as prepara para serem agentes ativos e críticos na sociedade, uma educação que transforma vidas e comunidades. 

Outro ponto importante é o apoio ao Artista Popular, reconhecendo as manifestações tradicionais como pilares da cultura e como vital para valorizar nossa herança e valorizar arte local e as práticas culturais comunitárias. Aspectos que com certeza fortalecem a identidade e a autoestima dos grupos sociais, promovendo um sentido de pertencimento. 

Motim – Feira Colaborativa de Arte Impressa.

Lembro aqui da necessidade da inclusão e acesso à Arte, com a criação de Museus itinerantes, cinema na praça, exposições gratuitas e projetos comunitários são formas de levar a arte a toda parte. Essas iniciativas permitem que pessoas de diferentes contextos sociais e econômicos tenham acesso à cultura e à arte, quebrando barreiras geográficas e financeiras. Além disso, a realização de atividades culturais em praças, escolas e centros comunitários cria um ambiente de pertencimento e apropriação da arte pela população. 

Quanto à promoção de Técnicas Tradicionais importa incentivar oficinas e cursos que ensinem as manualidades como o bordado, tecelagem, cerâmica, marcenaria como uma maneira de preservar e valorizar saberes ancestrais. Essas atividades não apenas resgatam o conhecimento tradicional, mas também promovem a troca de experiências entre gerações, fortalecendo laços comunitários e mantendo viva a cultura de um povo. O aprendizado dessas técnicas pode ser uma porta de entrada para a expressão artística e a geração de renda. 

A criação de primeiros espaços de diálogo com a arte abre oportunidades para o convívio com linguagens da arte – desde o quintal de casa ao circo, às praças como espaços privilegiados para os primeiros diálogos com saberes, com a cultura e aprendizado de convivência entre os seres. Por isso nesses espaços é possível o encontro com as manualidades, com o saber ancestral repassado entre gerações, com a dignidade e com a Paz. Um Brasil onde a arte permeia o cotidiano é um Brasil mais humano, mais criativo e mais conectado com sua própria história.  

Uso das Mídias Digitais: As plataformas online têm o potencial de expandir o alcance da arte brasileira, conectando-a a novos públicos e novas experiências. Por meio de redes sociais, sites e aplicativos, os artistas podem compartilhar suas obras e processos criativos, alcançando audiências que antes estariam distantes. As plataformas digitais possibilitam a realização de exposições virtuais, oficinas online e discussões interativas, democratizando o acesso à arte e promovendo uma maior diversidade de vozes e narrativas. 

Projeto Google Arts & Cultura sobre Candito Portinari.

Essas ações que foram cerzidas acima, podem transformar a relação da sociedade com a arte, tornando-a um bem acessível e essencial para todos. A arte só será verdadeiramente transformadora quando estiver ao alcance do povo. Romper barreiras, ampliar horizontes e garantir que cada indivíduo possa se conectar com a expressão artística é um compromisso coletivo. Cada ação que tomamos — apoiar um artista local, compartilhar uma obra que nos emocionou, visitar um museu ou incentivar uma criança a desenhar — é uma pequena revolução que fortalece a arte como um bem essencial. 

Quando a arte se torna parte de nossas vidas, cada um de nós se torna um agente de transformação, bordando um futuro onde a criatividade é um direito de todos. 

assinatura Marilu Dumont

 

Brasília, 20 de fevereiro de 2025 

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  • 20/02/2025

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Publicado por:

Marilu Dumont

Marilu é psicóloga, artista visual, arte-educadora, e sanitarista. É da segunda geração de bordadeiras do Grupo Matizes Dumont e sua história de vida é dedicada à integração entre arte, ambiente e saúde. Toma o bordado como forma de expressão e autoria no mundo, em vivências e processos de grupo.

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