Mãos que amam bordar

“Enquanto o mundo enlouquece, a mão que borda exerce um outro jeito de prece!” (Do poeta TT Catalão para o Matizes Dumont)

Criatividade não faltava a TT Catalão, nosso amado poetinha, como gosto de chamá-lo. Belamente ele trouxe a síntese do que podem ser as mãos. A mão que borda, a mão que afaga, a mão que ama…e constrói a Paz.

Vestido das águas. Bordado Matizes Dumont – Foto Marilu Dumont

Vestido das águas. Bordado Matizes Dumont – Foto Marilu Dumont

Nem sempre foi assim. Sabemos que houve um tempo, no passado mais longe que se possa imaginar, em que usávamos mãos e pés para caminhar. Um belo dia no caminho das adaptações e da evolução humana, não sei como, ficamos de pé!

Segundo cientistas, foi aí que tudo mudou…nenhum ossinho ficou do mesmo jeito. O crânio cresceu e ganhou novo encaixe, a visão se expandiu para o horizonte e o sol na cabeça verteu luz pela coluna vertebral para divinizar a criatura que, um dia, há de ser realmente humana…com isso vemos que a obra não está acabada! O bordado continua na vida e nos gestos mais delicados.

Pintura de Pablo Picasso - Arquivo da Internet

Pintura de Pablo Picasso – Arquivo da Internet

A mão, a visão e o cérebro estão fortemente ligados ao fazer.

E há muito a fazer, transformar, reinventar, rebordar. Investigativas e fazedoras pela própria natureza, as mãos oferecem, recebem, conhecem e se dão a conhecer.

Curiosidade. Foto: Marilu Dumont

Curiosidade. Foto: Marilu Dumont

Trabalhar com as mãos e dar asas à curiosidade pelo mundo afirmaram nossa essência criativa. E desde a primeira agulha de osso, uma ancestralidade de costureiras e bordadeiras foi criada. Usando a técnica para facilitar e a arte para embelezar, a vida transcorreu na multiplicidade de povos e culturas.

Bordado na Ciranda de filmes Foto Marilu Dumont

Bordado na Ciranda de filmes Foto Marilu Dumont

É fato que algumas mãos um tanto desconexas deixaram-se levar pelo medo, abrindo portas para ganância e crueldade. Em vez da alegria de compartilhar, elas escolheram o medo da escassez e a insensatez do estoque.  Necessidades de poder guiadas pela geopolítica para guerra desnecessária como a que se vê hoje. Não puderam entender que, como o mineiro Beto Guedes diz na canção, “um mais um é muito mais que dois”. Assim chegamos no mundo de hoje, que vive, claramente, uma reinicialização onde mãos, corações e mentes são convidados a trabalhar pela paz, harmonia e reintegração dos seres.

Foto: Marilu Dumont

Diferentes tipos de mãos sempre existiram e são essas que agora devem sinalizar com alvoroço que existem outros modos de viver.

Falo das mãos que tecem belezas. Mãos caçadoras de beleza que se unem pelo bem comum. Mãos que afagam, cumprimentam, curam, benzem, agradecem, abençoam, plantam, colhem e compartilham pão e vida…mãos que urdem, no silêncio da noite, uma trama mais humana.

Recorte da obra Mulheres Que Bordam Entre Rios

Recorte da obra Mulheres Que Bordam Entre Rios

Trama feita de sol que alumia e clama por uma nova história aqui na Terra. É a luz do dia que está chamando pro meio da roda toda essa gente que borda vida bonita, fraterna e feliz.  Despertar olhar como num caleidoscópio em busca de outra harmonia, em alquimias  com o que há de mais interno. Buscar conexão com os caminhos e luzes da vida em movimento, como em Harmonia das Cores nos fios do bordado.

Quadro de Matizes Dumont

Vamos criar novas tessituras e descobrir nas entrelinhas, entrecores e entrenós, um tecido-vida mais bonito? Então, sejamos todos o pano, a linha e a agulha nas mãos que transformam!

assinatura Marilu Dumont

 

 

 

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