Dentre os principais desafios do bordado livre e contemporâneo está a percepção de que o bordado é uma arte que nos possibilita a conexão com a sensibilidade, com a beleza das coisas e sentimentos mais delicados. A leitura das linhas do bordado é uma vivência plena e enriquecedora que possibilita a superação de desafios para transformações pessoais e coletivas. Por tudo isso essa arte milenar tem importante papel na Promoção da Saúde nesse tempo em que ainda é necessário ficar em isolamento social, tempo de enfrentar os medos para diminuir a solidão.

Livro Harmonia das cores nos fios do bordado
Os desafios do praticante do bordado nos dias atuais são diferentes dos desafios de ontem, e vão desde a visão de mundo e de sua relação consigo mesmo(a), até a maneira como nos relacionamos com a natureza e com os outros.
Ao pensar sobre isso podemos pespontar aqui o que você não precisa incluir na sua prática do bordado livre.
Pressa, precipitação ou impaciência
O bordado livre é sem pressa e tem seu tempo. Tempo de desapego, de aceitar a velocidade e ritmo próprio com paciência. Caso seja necessário, desmanche, refaça!

Foto: Marilu Dumont
A paciência necessária para deixar fluir a criatividade em belo momento de criação que abriga a descontração, leveza. Experienciar o bordado é algo que possibilita que você exteriorize seus sentimentos com agulhas e linhas. Quando o bordado estiver terminado que seja lembrado como algo divertido e prazeroso. Olhe em volta sem pressa, observe um jardim, um campo florido, uma árvore, ou pequenas formas da natureza. Isso vai encantar você e nutrir seu bordado!
Os limites da técnica – não precisa afobação para aprender muitos pontos

Foto: Marilu Dumont
Como eu já disse antes, a técnica deve ser uma referência – nunca uma exigência. Fundamental transpor aspecto apenas instrumental e mobilizar forças interiores da criação espontânea.
Aprendemos como usar agulhas e fazer os movimentos dos pontos conforme técnicas de bordadeiras que vieram antes de nós e sinalizam um jeito pessoal de fazer. Cada um(a) de nós pode escolher como fazer nossos pontos sem nos aprisionarmos ao certo ou errado. Nem precisamos ter afobação em saber fazer muitos pontos. A maioria das vezes um lindo bordado não tem nada a ver com número variado de pontos, e sim com a simplicidade.
Restrição ao uso de diferentes tipos de fios

Foto: Marilu Dumont
Ao bordar com simplicidade e ousadia você não precisa se prender aos ensinamentos do bordado de outros tempos como o bordado clássico que preconizava a utilização de fios sempre do mesmo tipo. No bordado livre e contemporâneo você pode recorrer à diversidade de fios – pode misturar e explorar a maciez da lã ou o mais puro algodão e seda para expressar melhor na linguagem do bordado Recurso para dar volume, brilho, intensidade, texturas como um belo jardim com a ser descoberto.

Foto: Marilu Dumont
Coisa mais linda um jardim com diferentes nuances de cores. No bordado livre assim é também. Por isso escute a beleza e deixe-a falar por meio dos variados tipos de linhas que você tiver.
(Des)confiança de sua manualidade

Foto: Marilu Dumont
Nesse movimento de experimentar as coisas novas na sua bordação, o que será o medo de errar senão o (des)confiar da sua manualidade? Quantas vezes já ouvi ao longo dos anos algo assim: ”Não sei fazer nada com as mãos”, ou “não levo jeito para bordado e nunca me ocupei de nada manual”.
A prática do bordado livre é instigante convite a con(fiar) no seu poder de usar os erros a seu favor, a visitar o imprevisível. Desafio para transitar sobre a feiura para visitar o belo, exercitar o seu direito ao avesso.

Bordado: Antônia Zulma
Usando a metáfora da vida como um jardim, experimente fazer da sua vida uma floração intensa de diferentes formas, cores e surpresas do olhar e de desabrochar o Ser Sensível em você.








