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A arte precisa ser vivida

  • 13/03/2025

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A arte é um fio do não tempo e história, que nos une ao passado e nos alinhava os rumos do futuro. Cabe a nós garantir que ela continue sendo um elemento vivo, acessível e profundamente conectado à identidade brasileira. 

Como podemos trazer mais arte para nossa vida hoje? Pode ser por meio de uma aquisição consciente, de um momento de criação livre ou até mesmo de um novo olhar para aquilo que já faz parte do seu cotidiano. Porque a arte não precisa ser apenas admirada. Ela precisa ser sentida, vivida e, acima de tudo, compartilhada. 

Clubes literários, teatro amador e festivais populares: espaços de encontro e inspiração 

Ler um livro sozinho é um prazer, mas debatê-lo em um clube de leitura transforma essa experiência em algo maior. O mesmo acontece com o teatro amador os festivais populares e grupos de bordadeiras: quando a arte se torna compartilhada, seu impacto é multiplicado. 

Livros do Grupo Matizes Dumont.

Os clubes literários são uma prova de que a literatura não precisa ser solitária. O teatro comunitário, muitas vezes feito com poucos recursos, é um instrumento de voz e visibilidade para histórias que precisam ser contadas. E os festivais de arte, onde a diversidade se expressa sem barreiras, são momentos em que o Brasil se descobre em sua pluralidade. Para aqueles que apreciam a arte autêntica e feita com alma, esses espaços representam descobertas inesquecíveis. São experiências que vão além do olhar e tocam o sentir. 

Tecendo curiosidade, esperança e diversidade 

As comunidades de arte na nossa vida do interior de Minas sempre foram espaços de encontro e transformação e bordaram em nós a curiosidade, a esperança e a diversidade. Desde os clubes literários que nos fizeram viajar por mundos imaginários até os teatros improvisados no fundo do quintal da avó, passando pelos corais que ecoam até hoje no salão paroquial e na minha alma.  Nelas, a curiosidade nos moveu, a esperança nos sustentou e a diversidade se tornou o fio e trama de uma experiência muito especial e pra vida inteira, dos meus irmãos, primos e amigos. 

Encontro de Encantarias. Tiradentes, MG. 2023.

Considero que nesses espaços se aprende que a arte não é um ato solitário. O livro compartilhado em um pequeno Clube Literário juvenil se multiplica em interpretações; a peça ensaiada no quintal se construiu no olhar do outro; a música cantada em coro só ganha força quando ressoa na soma das vozes. Criar juntos é forma de expressão, um modo de estar no mundo, de construir pertencimento e de solidariedade ao outro. 

No convívio com a arte dentro de comunidades, está o espaço  onde descobrimos a beleza do improviso, o valor do erro, a alegria do compartilhar. E assim, entre palavras, gestos e cantorias, seguimos costurando sensações, reinventando realidades e reafirmando que a arte, antes de tudo, é uma forma de acolhimento, resistência e transformação. 

Livro “Correndo Trecho Pelo Rio São Francisco”, de Sávia Dumont. Clique Aqui para saber mais.

Encontros, histórias contadas ao redor da fogueira, encenações, canção entoada nos limites da voz nas folias de Santos Reis, nos blocos de rua do carnaval, são belas e novas experiências –  decerto que ampliaram horizontes e fortaleceram laços entre nós e pesponta a esperança. 

O circo e a performance: a magia como experiência sensorial na educação para o sensível 

Poucas formas de arte despertam tanto encanto quanto o circo. Ele mistura humor, risco, riso, surpresa e poesia, ensinando que a beleza pode estar no inesperado. Para muitos brasileiros, a lembrança do primeiro encontro com o circo é um dos momentos mais marcantes da infância. 

Livro para Bordar “O circo do vai e volta”. Clique Aqui para saber mais.

O circo também tornou-se uma ferramenta educacional poderosa. Em muitos projetos sociais, elementos circenses ajudam crianças a desenvolver confiança, coordenação e criatividade. Em tempos de tecnologia avassaladora, o simples ato de assistir a um malabarista ou rir com um palhaço nos reconecta com o essencial: a emoção pura e a arte da presença. 

Destaco o valor do circo, que se constituiu num espaço importante para a meninada da minha geração em Pirapora, MG. O circo favoreceu a educação para o sensível, educação onde a imaginação encontra o corpo em movimento, onde o risco e o encantamento se “enlinham” para criar experiências incomparáveis. Na educação para o sensível, a ida ao circo com o avô ou com o tio revelou-se como uma poderosa ferramenta de formação, despertando a percepção, a expressão e a empatia. 

Livro para Bordar “O circo do vai e volta”, bordado por Siomara Goulart. Clique Aqui para saber mais.

Ao explorar a diversidade de linguagens circenses – o equilíbrio, a acrobacia, a mímica, a comicidade, o teatro, a musicalidade – a educação se amplia para além do intelecto, promovendo o envolvimento afetivo e a escuta do próprio corpo e do outro. O circo ensina sobre colaboração, confiança e coragem, elementos essenciais para um aprendizado significativo e humanizado. 

“Espetáculo sim senhor”,  o circo para nós foi um convite à sensibilidade: um modo de olhar o mundo com assombro, curiosidade e encantamento. Ao trazer a arte e o circo para a educação, cultivamos entre nós a ousadia de sonhar, a curiosidade, a liberdade de experimentar e a beleza do encontro – fundamentos essenciais para uma sociedade mais sensível e criativa.  

Para aqueles que enxergam a arte como um reflexo de sua identidade, o convívio com  ela não é um evento isolado – é um fio que costura curiosidade, esperança e diversidade. 

assinatura Marilu Dumont

 

13 de Março de 2025 

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Publicado por:

Marilu Dumont

Marilu é psicóloga, artista visual, arte-educadora, e sanitarista. É da segunda geração de bordadeiras do Grupo Matizes Dumont e sua história de vida é dedicada à integração entre arte, ambiente e saúde. Toma o bordado como forma de expressão e autoria no mundo, em vivências e processos de grupo.

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