Ser Feminino e Águas – A Fragilidade que Perfura Nossas Certezas

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Prosa de bordadeira para (des)alinhar fios para novos bordados

Celebrar o Ser feminino e águas, num tempo que nos convoca para a harmonia entre os seres, é uma sinalização para percorrermos com linhas e agulhas as tramas e urdiduras em busca da PAZ, do seu espaço no tecido-vida; quando o fio tênue que liga a ancestralidade à contemporaneidade é entrelaçado em busca da “vida verdadeira” como disse um dia o poeta do Amazonas; quando é necessário sair do traçado e experimentar desenhar, cerzir, pintar, rebordar e criar imagens inéditas até para si mesma.

Mãe e filha

Obra: Mãe e filha. Grupo Matizes Dumont.

Desmanchar e fazer de novo

É quando a necessidade de harmonia, alegria, concórdia propõe o desmanchar e fazer de novo; quando nessa reconstrução a liberdade surge de mansinho e anônima no bordado, nas costuras, no sapateado e no batuque – desafiadora emocionante! Então é aí, com pontos cheios ou leves pespontos, pontos de ser ou alinhavos da alma, que mulheres e homens dão vida ao cotidiano.

Mas essa liberdade da qual se fala tanto não é uma conquista fácil, é um caminho sinuoso como o de um rio que requer coragem, perseverança e determinação entre suas margens, cachoeiras e abismos de remanso. É preciso saltar fora do “círculo do bastidor”, que representa as expectativas e estereótipos impostos pela sociedade, e buscar a própria identidade e liberdade. Olhando pelo fundo da agulha, é preciso ousar desafiar as normas, as regras, e buscar a harmonia e a alegria em si mesmas, com a mesma força da água brotando em veredas.

Ser Feminino e Águas presentes na Obra: Mulheres Coletoras do São Francisco

Obras: Obra: Mulheres Coletoras do São Francisco. Grupo Matizes Dumont

Sobre a fragilidade que perfura nossas certezas

A imagem da água escapando entre nossos dedos e perfurando nossas certezas estreladas nos remete à dualidade desse elemento. Assim como águas, a mulher ao mesmo tempo em que é suave e fluida, também possui o poder de moldar paisagens e desafiar nossa compreensão do mundo. O Ser feminino e águas nos ensinam sobre a importância de equilibrar nossa fragilidade com nossa força interior, lembrando-nos de que, assim como ela, somos capazes de causar impacto mesmo quando parecemos mais sutis.

A liberdade do Ser feminino é uma conquista que deve ser celebrada e valorizada em todos os aspectos da vida. Carecemos de reconhecer e valorizar a importância da liberdade e da autodeterminação das mulheres, e promover a igualdade e a justiça em todos os níveis da sociedade. É preciso lutar contra a violência, a discriminação e promover a paz e a harmonia entre os seres.

Obra: Lavadeiras

Obra: Lavadeiras. Grupo Matizes Dumont.

A liberdade, especialmente quando associada ao Ser feminino, representa um desafio constante de romper com padrões pré-estabelecidos e buscar a própria identidade. Esse caminho de fluir como as águas é de autodescoberta e empoderamento e pode ser emocionante como diz a mulher barranqueira: a margem do rio é bonita, mas a correnteza é forte. Movimento líquido, leve, encachoeirando em abismos ou em redemoinhos que possibilitam às mulheres explorarem suas possibilidades, expressarem-se de maneira autêntica e contribuir para a harmonia e PAZ na sociedade. A liberdade revela-se não apenas como um direito fundamental em meio à correnteza, mas também como uma fonte brotando de crescimento pessoal e coletivo.

assinatura Marilu Dumont

 

14 de março de 2024

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